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CARTAZ DA PRIMEIRA TEMPORADA NO TEATRO SESC-ANCHIETA

 

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crítica publicada na Revista BRAVO! em fevereiro de 2010

 

 

SEGUNDA TEMPORADA ESTREIA 15 DE MAIO NO TEATRO EVA HERZ

http://www.teatroevaherz.com.br/teatro/?l=resenha&npeca=25


 

          CARTAZES   DA   TERCEIRA   TEMPORADA   NO   TEAT(R)O   OFICINA

      

 

 

trecho de reflexão publicada na edição 10 da Revista Sala Preta sobre o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto em 2010

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Abra cadáver Fecha cortina Abracadabra estreia contínua A peça abracadabra estreou em são paulo no teatro sesc-anchieta em janeiro de 2010 e segue cegando próximas temporadas Um espetáculo de hipnose Um espetáculo sem sinopse Apenas uma presença dialogando com os limites do nosso raciocínio encarcerado no majestoso teatro dos nossos corpos e da sua imaginação Diz-posto a atravessar a zona que separa o palco-vida da coxia-morte um ator se arrisca em queda livre na ausência total de suporte ficcional para descobrir juntamente com o espectador o instante essencial antes de sairmos de cena A dramaturgia se refaz a cada apresentação com outros caminhos sendo tomados dentre os vários fragmentos de textos que buscam mapear os atalhos e os enganos do nosso pensamento contemporâneo As palavras deixam de ser as bolinhas de vidro escapadas do colar quebrado da anedota Tornam-se oferenda e alegoria Toda palavra é réquiem e todo orador é o povo inteiro seus mortos seus excluídos seus heróis seus espectadores Ela corre de boca em boca como um fogo salubre na floresta Não encenar nada mais Nada mais que isso Uma única palavra mas qual

A seguir uma reflexão do sociólogo e curador Ricardo Muniz Fernandes - - - - - - - Algo à deriva, como se estivesse entrando em um navio abandonado. Embora todos soubéssemos estar em um teatro vazio e escuro, para alguns demasiadamente conhecido, (não como a palma da mão, pois quase ninguém conhece em profundidade as palmas de suas mãos) eu me defrontava com medo, um medo que resiste, persiste e permanece ainda dentro. Era somente meu, ou também dos outros que iam comigo? Era um medo atávico. Colado. Medo resistente da deriva, e das trevas. Nos espalhamos pela poltronas da plateia e ficamos esperando o início do espetáculo. As regras do teatro já tinham sido quebradas, não entramos com a plateia acesa e escolhemos os lugares. As luzes da plateia não se apagaram e se acenderam as do palco. Nada disso aconteceu, era o escuro do início ao fim. Escuridão. No início, havia uma caneta a laser, complemento fundamental de palestra e esclarecimentos, vagando também perdida naquele iniciado desmonte de regras. Por alguns segundos ela ainda resistiu, mas logo desapareceu na ausência de sentido (depois ela volta e poderia ser a mira de um atirador de elite, o suspense eficaz e barato, entre o tiro e a morte nos filmes de Holywood). Os que tinham lanterna não as acenderam naquele momento. Eu estava ali, no escuro, como entrado em plena metamorfose. Ainda não era a coisa, fosse ela de Kafka ou do banalíssimo Stephen King, mas estava em transformação e metamorfose. Os outros também estavam em mutação? Uma luz e uma voz no fundo do palco, repetiam um texto sobre o que? Era algo sobre estar, contar histórias... um texto para mim desconhecido... e isso me deixava ainda mais mareado... e aquilo dito ali nas luzes fracas daquelas lanternas, no black-out quase completo do teatro (no canto esquerdo havia uma fresta de luz que era o abracadabra de escape, o ponto de fuga). O ator, ou “a coisa” ali escondido naquela possibilidade de ascensão era meu igual, meu irmão, uma coisa, o inominável, Malone, eu e também os outros ali presentes? E o texto jorrava, em golfadas, sem a dramaticidade, e sem a expressividade e a emoção do óbvio teatro, mas era algo entrecortado, como ondas, a respiração presa dos pesadelos dos quais não conseguimos acordar. E era também clownesco, ridículo, lírico, conceitual, não me deixando estabelecer um sentido único e definitivo, um falar que vacilava e me angustiava, me deixando à plena deriva. Na beira daquelas escadas, como ao lado de um enorme navio encalhado, - os grandes teatros soltos pelas cidades do mundo não são navios encalhados? - convidado, mas também clandestino. Era também aquele do qual falava o texto, o que não queria estar ali, no esforço da “coisa”, para levantar, andar pelas paredes, falar e contar histórias. Já era quase uma ”coisa”. O esforço de ver, o esforço de entender era muito além do entendimento fácil do cotidiano e das redes. O texto, sua extensão, seu acender e apagar de luzes, balanço entre compreensão e distração, sua repetição e paralisia no próprio movimento e expressão na beira daquela escada era o tempo calculado para nos tornarmos, como o ator, completos “issos”. Nós éramos olhos na escuridão, e éramos a própria escuridão. Eu era as trevas e seu coração. Os outros também eram? Éramos também espectadores e aquilo era teatro, e nesse jogo, pega-pega “asmático” de significação, não havia possibilidade de fuga. Estavamos na cova, na toca da fera, sendo presas e também predadores. Eram tantos os pensamentos que me atravessavam e ricocheteavam no espaço imensurável de um palco vazio. Era uma profusão de fantasmas, e uma infinidade de possibilidades. Era como o teatro em sua dinâmica maior, a paralisia daquele segundo antes do início de uma performance onde tudo está armado e só nos resta a vontade e necessidade de continuar ou de apagar as luzes, fugir do teatro e deixar o nada acontecer. Uma fração de segundo e uma eternidade, o infinito neste mínimo, neste tempo e qualidade... eu entrevia e me deixava à deriva com Merleau-Ponty na sua última obra o Visível e o Invisível, com Beckett nos seus tantos textos lidos e esquecidos e seus poucos filmes vistos, com Marlon Brando em Apocalipse Now e Conrad, na cegueira de Pina Bausch em E La Nave Va, e até mesmo na surpresa possível de um rato ou fantasma atravessando o vazio do palco. Eu estava ali misturando o meu pensamento e a minha pouca visão. Experimentando o pensar valendo mais do que a coisa vista ou do que a própria visão - - - - - - -


 

A seguir alguns trechos de uma análise feita pelo músico Damien Campos - - - - - - - escuridão, luz, aumentativos e diminutivos, Deus, Lúcifer, Luiz Päetow propõe nesta montagem algo que podemos considerar inovador, pois o monólogo que interpreta conta apenas com a iluminação proveniente de inúmeras lanternas, de variadas intensidades, distribuídas aos espectadores no momento da entrada. Em meio à escuridão, desenvolve um fortíssimo texto com muito apelo poético e filosófico. Cada um dos poucos movimentos que o ator faz na peça é feito com a meticulosidade de um computador, e é isto que temos a impressão de estarmos vendo durante boa parte da peça, melhor ainda, um robô. Quanto à performance do ator, foi o que poderíamos esperar de alguém que sabe exatamente o que fazer e onde quer chegar, e que surpreende a cada palavra desferida como um golpe direcionado exatamente às mentes daqueles que detêm a luz no espetáculo. Fica nítido no monólogo um alto teor crítico ao comportamento das pessoas no que tange política, religião, arte e cultura, além de propor uma reflexão, ou melhor um diálogo da arte com a vida. Em diversas vezes podemos ouvir palavras que não são bem digeridas pela sociedade, mas que como dito anteriormente, irrompem como golpes que se chocam com seu alvo. Esta foi a atmosfera por mim experimentada, o duelo do ator esteve presente até o fim da peça. Contudo aí estava pra começar um outro tipo de peça dentro da peça, onde os protagonistas não se sabiam como tal. Aí estaria a magia proposta pelo nome da obra? O desafio proposto pelo ator foi aceito por muitos. Qual é o limite da expressão de um artista? Enquanto as lanternas afoitas tentavam descobrir em qual parte do palco estava o “botão de desligar”, Luiz se transformou num boneco de cera inanimado, porém, que encarava cada um de nós, com os olhos bem abertos e vibrantes, mas sem um som sequer. O público foi sendo vencido. Muitos foram embora e engoliram aquele inusitado fim. Outros resistiam, até que a plateia tomou lugar do protagonista, e um grupo de pessoas, após terem apagado as lanternas começaram a bater palmas, sugerindo o fim do espetáculo. Por sucessivas e insistentes vezes repetiram o feito, porém o ator não respondia de maneira alguma àquela manifestação. Até que, pasmem, começou-se uma discussão entre as pessoas, e uns começaram a provocar os outros, pediam para se retirar. O clímax veio quando um rapaz estava saindo e passando pelas fileiras empurrou um outro que estava sentado. O que estava sentado reagiu e levantou-se para ir de encontro ao seu provocador que saiu correndo. E assim, saíram um correndo atrás do outro, enquanto no palco o ator representava bravamente seu papel. Quase quatro horas depois, um dos organizadores do festival nos convidou educadamente a se retirar, pois o fim da peça jamais viria. Abracadabra se configura uma experiência única. Recomendadíssimo. - - - - - - -


Nas palavras do crítico e pesquisador teatral Sebastião Milaré - - - - - - - é de admirar o brilho que Luiz Päetow consegue sacar das trevas. E também a pulsação à beira do abismo, as palavras duras, o desmonte de frases. Belo trabalho. Um solo teatral que faz a autópsia do público e inaugura poética radical. Foi um privilégio assistir. - - - - - - -

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APRESENTAÇÃO ESPECIAL NO TEATRO FAAP

APRESENTAÇÃO NO SESC CAMPINAS

 APRESENTAÇÕES ESPECIAIS NA VIRADA CULTURAL

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Escrito por jqz às 08h09



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