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Luiz Päetow Luiz Päetow -foto Lenise Pinheiro-

Luiz Päetow Luiz Päetow -fotos Keiny Andrade-

Luiz Päetow

Luiz Päetow

 

                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Link para imagens registradas pela artista Lenise Pinheiro em seu Blog Cacilda

Link para reportagem realizada em 1986 com Jean-Luc Lagarce na Biblioteca do Centro Cultural de Besançon no qual ensaiaria Music-Hall três anos depois

Link para entrevista com Jean-Luc Lagarce realizada em 1995 dois meses antes da morte aos 38 anos




Escrito por jqz às 15h20





1

LA FILLE   LE PREMIER BOY   LE DEUXIÈME BOY

os nomes dos personagens

são seres se oferecendo na arte e assim não se trata apenas de uma cantora mas de uma Menina e não somente de dois assistentes mas de dois Meninos e isso ressalta seu jogo nostálgico pois o trabalho de cada show-woman-show-man é preservar e oferecer a sua infância o seu sorriso e portanto esses nomes imprimem a função lúdica de eternos moleques em contraste com a precária realidade

DE TEMPS EN TEMPS

é o título da canção que serviu como ponto de partida para a escritura da peça

uma melodia pungente composta por Paul Misraki e Andre Hornez e eternizada na voz de Joséphine Baker a mítica dançarina neta de escravos africanos que assegurou a potência do music-hall que mais tarde seria escravizado pela própria indústria

a letra da canção reflete o lamento de uma amante abandonada mas pode ser ouvida como um último pedido do Teatro aos artistas aos espectadores para que não nos esqueçamos pois é preciso fazer amor com ele e assim espantar as teorizações que só afastam a nossa carne do coração

afinal de contas o teatro -a vida de todo mundo- é um eterno poema ereto

não digam que vocês me adoram

mas façam amor comigo

uma palavra de amor é incolor

mas uma trepada é eloquente

não me escrevam longos poemas

não me contem suas comoções

para provar o quanto me amam

mas sim de tempos em tempos me beijem

e caso me escrevam não digam que vocês me adoram

mas sim vivam em mim de tempos em tempos

pois muitas vezes o coração ignora aquilo que nossas mãos frequentemente escrevem

não deixem morrer nossos sonhos

lembrem-se de tempos em tempos

 

e a pergunta que se faz é

o que realmente ainda nos resta oferecer aos espectadores

o que realmente ainda nos resta ofere-ser uns aos outros

a urgência de uma memória intraduzível

ou o clímax de uma emoção intransferível

ou a reflexão sobre a nossa existência i-n-f-i-n-i-t-a

a partir dessa indagação e tendo como metonímia o esqueleto do teatro-de-entretenimento esse açougue-music-hall no qual somos convocados para a missão de abastecer vida na vida de inúmeros desconhecidos

é preciso que a iluminação concebida para o espetáculo seja o próprio camelo atravessando o buraco da agulha

paralelamente vale notar o quanto Lagarce se concentra no uso do intransitivo

o verbo é sempre perpétuo e está sempre acima da conjugação-prisão-temporal

ressoa a mesma descoberta de Gertrude Stein

no caso do inglês isso se dá no uso do gerúndio eating human-being seeing-is-believing home-coming thanks-giving some-thing

mas no francês o gerúndio não possui essa mesma natureza é preciso escrever en-train-de-parler en-train-de-vivre que significa estar-no-ato-de-falar estar-no-ato-de-viver

não há como escrever simplesmente falando-vivendo e no inglês o uso do intransitivo to-speak to-live tem uma conotação de algo a ser projetado no futuro

ao contrário do português quando lemos ler-morder-arder pensamos em uma ação contínua-presente

 

VÍDEOS -  LINKS 

k

a  alma  em pleno ringue 

 

 como  dar uma volta completa

 

o rosto na  auréola  de busby berkeley pré-beckett

 

às vezes jogam garfos e gatos  mortos 

 

sempre haverá mais um  Menino  por aí inclusive no caubère

 

 Hélène Surgère  foi a Menina dirigida por lagarce 

 

humorista  fascínio de alagar-se


e por aqui foi  assim  assim  que tudo começou semanas antes do convite até


 

marcia ela dança

sobre o cetim do raio

isopor aos seus pés

marcia dança com pernas afiadas tesouras

são duas flechas que nos dão ideias sensações

bela em cena e bela na vida real

vê-la dançando me transforma em excitada

moretto como a sua boca é enorme quando você sorri

e quando você ri eu rio também

você ama tanto a vida

ué qual razão então para este frio que a gente sente em você

mas é claro é a morte

que te assassinou

é a morte que te consumiu

agora você virou cinzas

a morte é como uma coisa impossível

e mesmo para você que é forte como um foguete

e mesmo para você que é a própria vida

é a morte que te levou

marcia dança meio chinesa

o calor nos movimentos dos ombros

estática como um hieróglifo inca de uma ópera

com a cabeça ela também dança super bem

e o seu rosto dança com todo o resto

ela investigava uma nova maneira de dançar

e ela a inventou

é ela o gafanhoto

a sereia com dores de amores

a dançarina na flanela

ou um cartaz

 

 

pois é

poiesis

é p.s.

 



Escrito por jqz às 15h20



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