LA FILLE LE PREMIER BOY LE DEUXIÈME BOY os nomes dos personagens são seres se oferecendo na arte e assim não se trata apenas de uma cantora mas de uma Menina e não somente de dois assistentes mas de dois Meninos e isso ressalta seu jogo nostálgico pois o trabalho de cada show-woman-show-man é preservar e oferecer a sua infância o seu sorriso e portanto esses nomes imprimem a função lúdica de eternos moleques em contraste com a precária realidade
DE TEMPS EN TEMPS é o título da canção que serviu como ponto de partida para a escritura da peça uma melodia pungente composta por Paul Misraki e Andre Hornez e eternizada na voz de Joséphine Baker a mítica dançarina neta de escravos africanos que assegurou a potência do music-hall que mais tarde seria escravizado pela própria indústria a letra da canção reflete o lamento de uma amante abandonada mas pode ser ouvida como um último pedido do Teatro aos artistas aos espectadores para que não nos esqueçamos pois é preciso fazer amor com ele e assim espantar as teorizações que só afastam a nossa carne do coração afinal de contas o teatro -a vida de todo mundo- é um eterno poema ereto não digam que vocês me adoram mas façam amor comigo uma palavra de amor é incolor mas uma trepada é eloquente não me escrevam longos poemas não me contem suas comoções para provar o quanto me amam mas sim de tempos em tempos me beijem e caso me escrevam não digam que vocês me adoram mas sim vivam em mim de tempos em tempos pois muitas vezes o coração ignora aquilo que nossas mãos frequentemente escrevem não deixem morrer nossos sonhos lembrem-se de tempos em tempos e a pergunta que se faz é o que realmente ainda nos resta oferecer aos espectadores o que realmente ainda nos resta ofere-ser uns aos outros a urgência de uma memória intraduzível ou o clímax de uma emoção intransferível ou a reflexão sobre a nossa existência i-n-f-i-n-i-t-a a partir dessa indagação e tendo como metonímia o esqueleto do teatro-de-entretenimento esse açougue-music-hall no qual somos convocados para a missão de abastecer vida na vida de inúmeros desconhecidos é preciso que a iluminação concebida para o espetáculo seja o próprio camelo atravessando o buraco da agulha paralelamente vale notar o quanto Lagarce se concentra no uso do intransitivo o verbo é sempre perpétuo e está sempre acima da conjugação-prisão-temporal ressoa a mesma descoberta de Gertrude Stein no caso do inglês isso se dá no uso do gerúndio eating human-being seeing-is-believing home-coming thanks-giving some-thing mas no francês o gerúndio não possui essa mesma natureza é preciso escrever en-train-de-parler en-train-de-vivre que significa estar-no-ato-de-falar estar-no-ato-de-viver não há como escrever simplesmente falando-vivendo e no inglês o uso do intransitivo to-speak to-live tem uma conotação de algo a ser projetado no futuro ao contrário do português quando lemos ler-morder-arder pensamos em uma ação contínua-presente VÍDEOS documentário em cinco partes de Joséphine Baker a alma em pleno ringue como dar uma volta completa a coreografia às vezes jogam garfos e gatos mortos Hélène Surgère foi a Menina dirigida por lagarce a humorista fascínio de alagar-se e por aqui foi assim e assim e assim e assim que tudo começou semanas antes do convite
marcia ela dança sobre o cetim do raio isopor aos seus pés marcia dança com pernas afiadas tesouras são duas flechas que nos dão idéias sensações bela em cena e bela na vida real vê-la dançando me transforma em excitada moretto como a sua boca é enorme quando você sorri e quando você ri eu rio também você ama tanto a vida ué qual razão então para este frio que a gente sente em você mas é claro é a morte que te assassinou é a morte que te consumiu agora você virou cinzas a morte é como uma coisa impossível e mesmo para você que é forte como um foguete e mesmo para você que é a própria vida é a morte que te levou marcia dança meio chinesa o calor nos movimentos dos ombros estática como um hieróglifo inca de uma ópera com a cabeça ela também dança super bem e o seu rosto dança com todo o resto ela investigava uma nova maneira de dançar e ela a inventou é ela o gafanhoto a sereia com dores de amores a dançarina na flanela ou um cartaz
pois é poiesis é p.s.
Escrito por jqz às 15h20
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