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yLuiz Päetow

  apresentação no Teatro Faap em março 2011

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Luiz Päetow

 

 

cartaz da terceira temporada em 2008

de 31 de maio até 31 de agosto

 

Ao explorar as diferenças semelhanças e barreiras entre o palco da ficção teatral e o palco do nosso cotidiano

o espetáculo nos revela que a mente humana é um teatro de possibilidades simultâneas

que investiga incessantemente a si próprio e aos outros

para recriar a vida e sua comunhão

A obra impulsiona uma reavaliação de todo julgamento estético vigente

questionando os materiais de construção da gramática humana

soltando faíscas a partir da extração de interrogações

alertando para a responsabilidade da sensibilidade

Luiz Päetow

 

apresentação na Mostra de Teatro Contemporâneo em agosto 2012  

 

 

Luiz Päetow 

acima o cartaz da segunda temporada em 2008

 

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz PäetowLuiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

P E Ç A S é o nome da peça e peço o que a natureza reza

escrita em 1934 como material para uma palestra sobre a relação entre o ato de escrever e o ato de viver

ressoou as principais vanguardas artísticas no mundo e persiste transformando aqueles que ouvem sua reflexão lúcida poética altamente política

Gertrude Stein, tendo sido aluna na Hopkins Medical School, descobria a mutação que se processa tanto no corpo do ator, quando se entrega à apresentação, quanto no corpo dos espectadores

um fato muito semelhante à transferência celular nos rituais xamânicos que, aliás, se processam como um monólogo, onde o pajé constrói um canto que reacende a essência de cada participante à sua própria, sem que precise contar histórias

já que já há jazigos de histórias

hoje a meta é amalgamar metrópole e pólen

VÍDEOS DISPONÍVEIS
Gertrude Stein Um corte não é uma fatia mas contém tudo
Gertrude Stein Um tubo de ensaio aberto na primeira versão
Ciclo Gertrude Stein 1
Ciclo Gertrude Stein 2
Ciclo Gertrude Stein 3
Ciclo Gertrude Stein 4
Ciclo Gertrude Stein 5

trecho do texto de Luiz Päetow publicado na revista de poesia e crítica literária Sibila dirigida pelo poetas Régis Bonvicino e Charles Bernstein  link 

GERTRUDE STEIN

Nascendo no dia 3 de fevereiro de 1874 em Allegheny, EUA

Autora de uma biografia inigualável, uma vivência precocemente órfã e uma infância praticamente nômade, fruto de uma família de imigrantes alemães lançados aos Estados Unidos em plena era vitoriana, vivendo na Áustria França e Inglaterra, antes de se estabelecerem no estado norte-americano da Pennsylvania

Ao ingressar nos cursos de psicologia e filosofia na Universidade de Harvard, encontra seu grande mentor, o professor doutor William James, um verdadeiro dínamo pesquisando o cérebro humano enquanto processador de linguagens, revelando os mecanismos da nossa emoção através da adrenalina, inaugurando as investigações de experiências místicas adquiridas graças ao peiote e a diversos nitratos, construindo as bases do pragmaticismo de Charles Sanders Peirce e irmão mais velho do escritor Henry James

Explorando códigos seus, decide abandonar a América para se aprofundar nos estudos de prosa elisabetana em Londres e, logo depois, enraíza-se definitivamente no ímã cultural de Paris, magnetizando um extenso círculo ao seu redor, exercendo inclusive a função de tutora artística, alavancando a carreira de Pablo Picasso, Juan Gris, Ernest Hemingway, Marcel Duchamp, Henri Matisse, entre tantos e tantos e tantos e tantos e tantos e tantos e tantos outros que se reuniram no seu mitológico apartamento localizado no número 27 da rue de Fleurus e que foram promovidos pelo seu espírito

Para termos uma idéia da abrangência de sua influência, podemos ressaltar o futuro escritor Paul Bowles, então um prodigioso rapaz de vinte anos de idade que foi estimulado por ela a fincar residência em Marrocos, um episódio semelhante à decisiva carta de Helena Blavatsky aconselhando Gandhi a finalizar os estudos em Londres e retornar à Índia, pois, mais adiante, Paul Bowles iria introduzir a rota psicomarroquina a Allen Ginsberg e William Burroughs, emoldurando assim o tapa na pantera, no elejohnfante, no jaguar dos beatniks

Gertrude Stein foi ainda motorista de uma ambulância durante a Primeira Guerra Mundial e se eternizou também graças ao seu casamento com Alice Babette Toklas

Em virtude desses e de tantos outros eventos, foi se perpetuando um interesse maior pelo pitoresco, folclórico, lendário de sua biografia, do que pela poética revolucionária, visionária de sua grafia

Uma gigantesca produção literária abrangendo poemas, ensaios, novelas, memórias, libretos, retratos, um livro para crianças, um livro policial e um romance de quase mil páginas intitulado The Making of Americans

Desenvolveu uma escritura que margeia o mantra e outros cantos encantatórios, se assemelhando ao cubismo

Em 1913, começou a escrever também para o teatro

Sua fértil produção dramatúrgica atingiria 80 peças no ano de 1946 com A Mãe de Todos Nós

Inaugurou uma estrutura, ousada na metalinguagem e revolucionária na fluidez, tão à frente de seu tempo, que a primeira encenação de uma de suas obras levou 20 anos para se realizar

Trata-se da lendária produção nova-iorquina de Quatro Santos Em Três Atos, em 1933

Um verdadeiro triunfo

Entre suas palestras, encontramos o texto Peças que aliás só foi publicado, postumamente, no volume Last Operas and Plays e, recentemente, no livro Look at me and here I am

Durante sua pesquisa, chegou a criar peças cujos protagonistas poderiam ser cidades, religiões, montanhas e até os próprios atos e cenas

Em Doutor Faustus Liga a Luz de 1938, os diálogos se alternam com um ballet de luzes e um cão que só diz obrigado

Seu jogo hipnótico de monossílabos, assonâncias, repetições e ausência de pontuação, é hoje considerado precursor do ritmo frenético dos rappers

Basta compararmos sua obra musical Quatro Santos Em Três Atos com a estrutura dos versos criada pelo mestre de cerimônias Tupac Shakur

E é ainda mais surpreendente encontrar, na dramaturgia do encenador Robert Wilson, a mesma escrita mântrica-mental qual assina com seu parceiro Christopher Knowles, o ilustre autista que compõe textos repletos de paralelismos, recurso presente também no canto dos pajés

O que dizer, então, da ligação direta entre a concepção dramatúrgica de uma peça-paisagem, formulada por Gertrude Stein no próprio texto Peças, e a peça de Heiner Müller intitulada Descrição de uma Paisagem, que põe à prova seu fluxo de consciência em meio à imobilidade dramática

Exerceu também um papel fundamental na dramaturgia beckettiana, vide seus versos isossilábicos de Esperando Godot e seu lessness em Dias Felizes

Paralelamente, anteviu o boom dos blogs, da internet, profetizando em uma entrevista de rádio registrada no inverno de 1934, haverá um dia em que cada um e todos terão suas vidas escritas e acessadas por todos a cada segundo, todo mundo que já viveu ou vive ou vi verá certo dia em que haverá uma história ordenada de todo mundo, aos poucos cada um virá a um reconhecimento ordenado

Já nos habituamos tanto a suportar o concreto e o cimento, justo eles que deveriam servir para nosso suporte, que esquecemos o conhecimento das coisas, e as coisas estão em todo lugar, através da arte adquirimos a qualidade de criadoores das portas do lugar que habitamos

Gertrude Stein, unindo as cortinas no dia 27 de julho de 1946, em Paris

Sua saúde havia sido, silenciosamente, insaudada durante os anos de isolamento em que driblou a perseguição nazista, se refugiando em uma casa abandonada ao interior da França

Luiz Päetow

Luiz Päetow

 

 

 

 



Escrito por jqz às 20h48





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imagens da fotógrafa Ines Arigoni


Análise da pesquisadora Naira Hofmeister no Jornal JÁ de Porto Alegre em 15/09/2006

PEÇAS É TEATRO ÀS AVESSAS
Luiz Päetow explica e questiona a dramaturgia


Ao invés do teatro, um armazém do Cais do Porto. Ao invés do público em frente ao palco, cadeiras espalhadas em volta do espaço cênico. Os bastidores teatrais fazem parte da composição de Peças, em que cordas, roldanas e sistema de iluminação estão aparentes e se misturam à plateia.

A cortina também foi substituída: ao soar da terceira campainha, uma porta de ferro se abre. Tendo o rio Guaíba ao fundo, numa bela noite iluminada pelos raios da tempestade que estava por vir, Luiz Päetow entra em cena: movimentos que lembram uma câmera lenta, braços e pernas movendo-se numa vagarosa sincronia. A boca, entretanto, não se mexe antes que chegue ao centro do improvisado palco. O único som presente é o de uma voz feminina, que sai do aparelho portátil instalado num canto.

Päetow caminha até o aparelho, e ainda com movimentos lentos, faz parar o fluxo de palavras em inglês. Retorna ao centro do espaço cênico, anuncia, com voz solene: “Peças, de Gertrude Stein” e volta a ficar imóvel por alguns segundos.

De repente, um sobressalto do ator prega um susto na plateia. “Descobri algo sobre Peças”, diz Päetow. E segue dizendo seu texto, um ensaio da autora norte-americana, musa de artistas europeus como Picasso e James Joyce, amiga da família de Matisse e freqüentadora do núcleo de intelectuais vanguardistas do início do século XX, na Europa.

O tratado de Stein “Peças” credita ao Jazz a invenção do nervosismo que se cria entre a plateia e o ator, no momento da apresentação. Essa apreensão, diz Stein, é resultado da falta de sincronia temporal entre público e espetáculo. “O sentimento do público está sempre à frente ou atrás do sentimento de quem está no palco”.

Não é fácil prestar atenção às deixas de Päetow: o texto é complexo, frio e lembra os escritos de filosofia da linguagem, em que o significado das palavras pode ser modificado por quem o recebe. O ator alterna sua interpretação durante todo o espetáculo. Às vezes segue no ritmo lento, aquele com que começou a apresentação. Ora atinge uma rara intensidade de emoções, gritando, se mexendo sem parar e falando velozmente num fluxo de consciência.

Päetow segue enumerando as diferenças entre a atuação no real, no cotidiano, aquela em que cada um é protagonista, e o teatro, onde a platéia é apenas observadora dos fatos. Além do tempo, das emoções, Stein ainda oferece um pensamento sobre os efeitos de alívio ou de arremate que esses antagonismos provocam em quem vivencia o teatro ou a realidade. O ator também questiona os sentidos, o momento certo para assistir a um espetáculo ou aqueles para apenas ouvir o que está sendo dito. Dessa forma, o texto também acaba discutindo a memória e a percepção do espectador.

Sem pretensão de conceituar ou determinar coisa alguma, Peças segue questionando “o que realmente conhecemos” sobre o mundo, sobre a vida, o que, afinal, é a matéria-prima do teatro. Ao final do espetáculo, sob meia-luz, calmo e tranqüilo, conclui Päetow: “E então isso é somente até o presente tudo o que sei sobre Peças", e sai a caminhar pela beira do Guaíba, apanhando as gotas de chuva que começam a cair.

Trecho da matéria publicada em 19/09/2006 no Caderno de Cultura do jornal uruguaio La República21 pelo jornalista Jorge Arias

SHAKESPEARE, GERTRUDE STEIN Y OTROS AUTORES
Sigue la fiesta teatral en Porto Alegre


La prosa de Gertrude Stein es muy apreciada por la crítica literaria. El texto es altamente especulativo y referente al teatro, que el intrépido actor Luiz Päetow trata de parar sobre las tablas. El resultado, el mejor de los casos, es una animada lectura de Stein; anotamos que a menudo el actor, con la dicción, emplea volúmenes de voz que concuerdan claramente con lo que dice. Como a Stein, se lo puede admirar.

Peças, de Gertrude Stein, por Luiz Päetow, en Armazem "A" dos Cais do porto (muelles del puerto).

imagens do fotógrafo Jorge Etecheber

Artigo publicado pela Central de Imprensa
Teatro Solo : a plateia como companhia

Quase um segredo dito ao pé do ouvido. Uma energia que emana de uma só criatura e ultrapassa os sentidos para fixar-se na alma de cada espectador. Um trabalho solo é uma confissão que extrapola o espaço, o palco, o teatro, para, com palavras ou não, transmitir uma mensagem, um sentimento, um ponto de vista.

Em 2006, permeado por sua investigação em busca de um novo teatro, ou mesmo de um não-teatro, o FIT traz ao público alguns trabalhos solo: “Diário de Um Louco”, de Livio Tragtenberg, “Peças”, de Luiz Päetow, “A Noite Antes da Floresta”, de Francisco Medeiros, “Sopro”, da Cia Lume.

O processo de construção dos espetáculos solo somam meses e, muitas vezes, anos de preparação do ator, desde a escolha do tema e o estudo, até a divisão da idéia com outros colaboradores como diretor, figurinista e técnicos. “A montagem de ‘Peças’ durou cinco anos. Isso desde a primeira tradução do texto de Gertrude Stein (autora que inspirou a montagem), até a pesquisa e a procura de outros profissionais que se identificassem com a proposta de encenação”, comenta o ator Luiz Päetow.

Fora o tempo de criação, Päetow do “Peças”, conta que encontrou desafios no texto de Stein. “Há uma identificação com o texto, uma paixão individual, desde o primeiro momento, mas muitas pessoas ficam desconfiadas com este tipo de texto, pois parece uma tese, uma palestra e acham que não teria como ser decodificado em uma linguagem teatral”, comenta o ator.


Análise escrita por Antonio Barreto Hildebrando (crítico de teatro de Belo Horizonte) por ocasião do FIT Rio Preto 2006
“Peças”
Luiz Päetow
São Paulo / SP

1ª HIPÓTESE: Imagine que você adora carros e motores, cheiro de óleo, gasolina, bielas e cremaleiras. Você ficaria em uma oficina, sentado tranqüilamente em uma pilha de pneus, durante 55 minutos, vendo um mecânico – criterioso, concentrado e perfeccionista – trabalhar?

2ª HIPÓTESE: Imagine que você adora teatro, sente-se em casa entre pernas, bambolinas e refletores. Você ficaria em um palco, sentado tranqüilamente em um banco de frente para a plateia, durante 55 minutos, vendo um ator – criterioso, concentrado e perfeccionista – trabalhar?

Creio que, em ambos os casos, a resposta seria SIM. Para o indivíduo da segunda hipótese, “Peças”, solo de Luiz Päetow , é um presente.

Radical, sem concessões, o espetáculo reterritorializa o texto de Gertrude Stein, que, na letra fria, antigo, rejuvenesce na cena pela voz firme e avessa a recursos fáceis do ator que se põe a seu serviço, corporificando o desejo da autora, ainda buscado por muitos e sintetizado por Marvin Carlson, em seu Teorias do Teatro: “Stein invocava e tentava criar um teatro que fosse ‘atemporal’ ou ‘perpetuamente presente’[...] Esse teatro rejeitava preocupações tradicionais como crise e clímax, começo meio e fim, prefiguração, desenvolvimento de personagens e intriga em favor de um fluxo de existência [...] o espectador não tentará adentrar o mundo emocional de um drama desses, apenas o observará como observaria uma paisagem que estivesse simplesmente diante dos seus olhos.” Assim observei, atento todo o tempo em que o ator, no pequeno espaço emoldurado pela meia abertura da cortina, colocava-se entre mim e as cadeiras vazias da plateia, nem tanto quando ele, movimentando-se por todo o palco, fugia dos limites da moldura. Talvez, como diria Stein: “...me tornei moderadamente conscientemente perturbado pelas coisas sobre as quais se tomba sobre as quais me tombei numa tal extensão que...” Talvez, tenha sido isso. Não tenho certezas. “E então isso é somente até o presente tudo o que sei sobre” “Peças”.

OBS.: Não tenho como e não quero saber de quem foi a infeliz ideia, mas, antes de começar o espetáculo, foi-nos solicitado que não nos retirássemos sem que ele tivesse terminado. Fico imaginando o indivíduo da segunda hipótese, aquele não-amante de carros e motores. Como ele se sentiria se fosse constrangido a passar 55 minutos, sentado sobre uma pilha de pneus em uma oficina, vendo um mecânico trabalhar, por mais criterioso, concentrado e perfeccionista que ele – o mecânico - fosse?

Antonio Barreto Hildebrando, agradeço muito a sua análise que, além de informar ao leitor sobre o grande Marvin Carlson, também realiza o mesmo percurso de Gertrude Stein ao expôr o incômodo proposital que o espetáculo provoca como se fôssemos todos novamente crianças em choque com o código camaleônico do teatro, que é a nossa própria vida. E, quanto à sua observação ao final, aproveito aqui para esclarecer que esta solicitação adotada pelo Teatro Municipal não era de nosso conhecimento e só fui informado desse procedimento através do seu texto acima. Na verdade, parece até um conto surrealista. É assustador pensar que tenham exigido aos espectadores para que ficassem confinados durante o espetáculo. Imagino que a equipe do Teatro deve ter pedido somente que o público aproveitasse para fazer suas necessidades, tais como beber água ou ir ao banheiro, antes de entrar no Teatro. Penso que tenham agido dessa forma com a melhor das intenções, na tentativa de evitar situações semelhantes às que ocorreram durante vários outros espetáculos, em que os espectadores saíam e retornavam à sala e até atendiam chamadas de telefone celular, como aconteceu durante uma sessão da peça "O Assalto" do Teatro Oficina. No entanto, caso tenha ocorrido como você descreveu a cena, tal excesso de zelo se torna a imposição de um Livro Vermelho....... e aí, a nossa Natureza some de vez. Já escrevi um email para Eunice Dumbra, coordenadora das Atividades Formativas do Festival, relatando o episódio.

agradecimentos paidéia associação cultural
amauri falseti aglaia pusch christine röhrig
nancy martorelli nogueira rogério modesto

agradecimentos coordenadoria de eventos culturais do departamento de ciências sociais da universidade federal de são carlos

imagens da apresentação registradas por clarissa mastro

imagens do ensaio registradas por artedivina elisete

Primeira Versão

TEATRO FAAP
25 janeiro a 16 março 2006

O local escolhido é o lado B do palco do Teatro Faap, o espaço oculto atrás da rotunda, onde há as coxias roldanas cordas moitões gornos ganchos, todos organismos que abastecem o urdimento teatral, o suporte do palco se transformando no suporte da peça

Análise escrita pelo crítico Mauro Fernando Mello no seu Blog Rotunda http://rotunda.zip.net

Com abordagens múltiplas – e resultados variados –, muito se tem escrito sobre o fascínio do teatro, desde apaixonados relatos de quem milita na área até frios compêndios acadêmicos. Em função desse encantamento, a metalinguagem é um dos assuntos mais caros ao teatro. Em cartaz no Teatro Faap, em São Paulo, o espetáculo solo “Peças”, da estadunidense Gertrude Stein (1874-1946), trata desse universo.
O texto expõe conceitos em torno da emoção que toma o espectador diante da cena, como “clímax da excitação”, “arremate” e “alívio”, e pergunta sobre a “utilidade de se contar uma história”, questionando a dependência do teatro de uma história bem contada. Assim, instalar a encenação no palco, atrás da cortina, surge mais como uma necessidade que como uma solução.
Um dos mais talentosos diretores brasileiros – premiado por “Pólvora e Poesia” (Shell) e “Agreste” (APCA), para citar apenas as mais recentes –, Marcio Aurelio assina a encenação. Como todo espetáculo solo, “Peças” tem no ator seu sustentáculo – neste caso, Luiz Päetow.
Ao não se comprometer com o naturalismo, Päetow tem o mérito de não deixar fluir uma atmosfera de conferência enfadonha. Faz uso de vasto repertório gestual combinado com silêncios e alternância de ritmo e de entonações.
Subscrita pelo diretor, a iluminação é uma aula sobre como se extrair de meia dúzia de lâmpadas nuances do jogo claro-penumbra-escuro. Longe, porém, de se sobressair ao ator, a luz o apóia, proporcionando-lhe mais subsídios para trabalhar.

imagem registrada por clarissa mastro da performance realizada
na inauguração do Teatro SESC Santana em outubro 2005

 

para conhe-ser outras performances http://jqz.zip.net



Escrito por jqz às 20h48



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