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          CARTAZES   DA   TERCEIRA   TEMPORADA   NO   TEAT(R)O   OFICINA

      

http://teatroficina.uol.com.br/events/55

SEGUNDA TEMPORADA ESTREIA  15  DE  MAIO  NO  TEATRO  EVA  HERZ

http://www.livrariacultura.com.br/teatro/index.asp?l=resenha&npeca=25

http://www.festivalriopreto.com.br/2010/noticias.php?id=44

http://www.festivalriopreto.com.br/2010/ensaios.php

trecho de reflexão publicada na edição 10 da Revista Sala Preta sobre o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto em 2010

http://cenacontemporanea.com.br/2010/nacio_004.html

http://hotsites.vitoria.es.gov.br/festivaldeteatro/index.php?q=content/abracadabra

http://www.mtcontemporaneo.art.br/abracadabra.html

Abra cadáver Fecha cortina Abracadabra estreia contínua A peça abracadabra do ator e diretor luiz päetow estreou em são paulo no teatro sesc-anchieta em janeiro de 2010 e segue cegando próximas temporadas Um espetáculo de hipnose Um espetáculo sem sinopse Apenas uma presença dialogando com os limites do nosso raciocínio encarcerado no majestoso teatro dos nossos corpos e da sua imaginação Diz-posto a atravessar a zona que separa o palco-vida da coxia-morte um ator se arrisca em queda livre na ausência total de suporte ficcional para descobrir juntamente com o espectador o instante essencial antes de sairmos de cena A dramaturgia se renova a cada apresentação com outros caminhos sendo tomados dentre os vários fragmentos de textos que buscam mapear os atalhos e os enganos do nosso pensamento contemporâneo As palavras deixam de ser as bolinhas de vidro escapadas do colar quebrado da anedota Tornam-se oferenda e alegoria Toda palavra é réquiem e todo orador é o povo inteiro seus mortos seus excluídos seus heróis e seus espectadores Ela corre de boca em boca como um fogo salubre na floresta Não encenar nada mais Nada mais que isso Uma única palavra mas qual

A seguir uma reflexão do produtor cultural ricardo muniz fernandes após assistir a uma das apresentações Algo à deriva, como se estivesse entrando em um navio abandonado. Embora todos soubéssemos estar em um teatro vazio e escuro, para alguns demasiadamente conhecido, (não como a palma da mão, pois quase ninguém conhece em profundidade as palmas de suas mãos) eu me defrontava com medo, um medo que resiste, persiste e permanece ainda dentro. Era somente meu, ou também dos outros que iam comigo? Era um medo atávico. Colado. Medo resistente da deriva, e das trevas. Nos espalhamos pela poltronas da plateia e ficamos esperando o início do espetáculo. As regras do teatro já tinham sido quebradas, não entramos com a plateia acesa e escolhemos os lugares. As luzes da plateia não se apagaram e se acenderam as do palco. Nada disso aconteceu, era o escuro do início ao fim. Escuridão. No início, havia uma caneta a laser, complemento fundamental de palestra e esclarecimentos, vagando também perdida naquele iniciado desmonte de regras. Por alguns segundos ela ainda resistiu, mas logo desapareceu na ausência de sentido (depois ela volta e poderia ser a mira de uma atirador de elite, o suspense eficaz e barato, entre o tiro e a morte nos filmes de Holywood). Os que tinham lanterna não as acenderam naquele momento. Eu estava ali, no escuro, como entrado em plena metamorfose. Ainda não era a coisa, fosse ela de Kafka ou do banalíssimo Stephen King, mas estava em transformação e metamorfose. Os outros também estavam em mutação? Uma luz e uma voz no fundo do palco, repetiam um texto sobre o que? Era algo sobre estar, contar histórias... um texto para mim desconhecido... e isso me deixava mais ainda mareado... e aquilo dito ali nas luzes fracas daquelas lanternas, no black-out quase completo do teatro (no canto esquerdo havia uma fresta de luz que era o abracadabra de escape, o ponto de fuga). O ator, ou “a coisa” ali escondido naquela possibilidade de ascensão era meu igual, meu irmão, uma coisa, o inominável, Malone, eu e também os outros ali presentes? E o texto jorrava, em golfadas, sem a dramaticidade, e sem a expressividade e a emoção do óbvio teatro, mas era algo entrecortado, como ondas, a respiração presa dos pesadelos dos quais não conseguimos acordar. E era também clownesco, ridículo, lírico, conceitual, não me deixando estabelecer um sentido único e definitivo, um falar que vacilava e me angustiava, me deixando à plena deriva. Na beira daquelas escadas, como ao lado de um enorme navio encalhado, - os grandes teatros soltos pelas cidades do mundo não são navios encalhados? - convidado, mas também clandestino. Era também aquele do qual falava o texto, o que não queria estar ali, no esforço da “coisa”, para levantar, andar pelas paredes, falar e contar histórias. Já era quase uma ”coisa”. O esforço de ver, o esforço de entender era muito além do entendimento fácil do cotidiano e das redes. O texto, sua extensão, seu acender e apagar de luzes, balanço entre compreensão e distração, sua repetição e paralisia no próprio movimento e expressão na beira daquela escada era o tempo calculado para nos tornarmos, como o ator, completos “issos”. Nós éramos olhos na escuridão, e éramos a própria escuridão. Eu era as trevas e seu coração. Os outros também eram? Éramos também espectadores e aquilo era teatro, e nesse jogo, pega-pega “asmático” de significação, não havia possibilidade de fuga. Estavamos na cova, na toca da fera, sendo presas e também predadores. Eram tantos os pensamentos que me atravessavam e ricocheteavam no espaço imensurável de um palco vazio. Era uma profusão de fantasmas, e uma infinidade de possibilidades. Era como o teatro em sua dinâmica maior, a paralisia daquele segundo antes do início de uma performance onde tudo está armado e só nos resta a vontade e necessidade de continuar ou de apagar as luzes, fugir do teatro e deixar o nada acontecer. Uma fração de segundo e uma eternidade, o infinito neste mínimo, neste tempo e qualidade... eu entrevia e me deixava à deriva com Merleau-Ponty na sua última obra o Visível e o Invisível, com Beckett nos seus tantos textos lidos e esquecidos e seus poucos filmes vistos, com Marlon Brando em Apocalipse Now e Conrad, na cegueira de Pina Bausch em E La Nave Va, e até mesmo na surpresa possível de um rato ou fantasma atravessando o vazio do palco. Eu estava ali misturando o meu pensamento e a minha pouca visão. Experimentando o pensar valendo mais do que a coisa vista ou do que a própria visão

APRESENTAÇÃO ESPECIAL NO TEATRO FAAP

APRESENTAÇÃO NO SESC CAMPINAS

 APRESENTAÇÕES ESPECIAIS NA VIRADA CULTURAL

CARTAZ DA PRIMEIRA TEMPORADA NO TEATRO SESC-ANCHIETA

Link reflexão publicada pelo jornalista da folha de sp nelson de sá

Link podcast com o crítico da folha de sp luiz fernando ramos

Link texto cartilha-catábase



Escrito por jqz às 08h09





 

 

Link para reflexão publicada pelo jornalista e diretor Nelson de Sá em seu Blog Cacilda

Link para imagens registradas pela artista Lenise Pinheiro em seu Blog Cacilda

Link para entrevista com Jean-Luc Lagarce realizada em 1985

Link para reportagem realizada em 1986 com Jean-Luc Lagarce na Biblioteca do Centro Cultural de Besançon no qual ensaiaria Music-Hall três anos depois

Link para entrevista com Jean-Luc Lagarce realizada em 1995 dois meses antes da morte aos 38 anos

 

Por mais de trinta anos tenho sido extremamente cuidadosa para nunca ficar sozinha no escuro Não poderia suportar isso Entraria em pânico Por causa disso sempre carrego velas comigo Especialmente quando viajo ao exterior ou a outros continentes Nunca sem minhas velas Jamais Por causa da eletricidade Nunca se sabe E quando criança quando ficava deitada no meu berço com todas aquelas grades Vocês sabem Aquelas grades Então saía e abria a porta da cozinha só um pouquinho para que um pouquinho de luz pudesse entrar Mas quem é que entrava A minha babá E aí ela me batia E fechava a porta Aí saía de novo e abria a porta e ela entrava e me batia E então nós ficávamos assim Vocês sabem Saía e abria a porta e ela entrava e me batia Pois então prefiro apanhar do que ficar sozinha no escuro E nunca sem minhas velas Jamais Por causa da eletricidade Nunca se sabe Quanto a mim Nunca Quanto a mim Nunca Jamais

 

relato acima da atriz e cantora Mechthild Grossmann em cena na qual confidenciavam à plateia suas experiências com o medo do escuro no espetáculo 1980 criado por Pina Bausch e assistido por Jean-Luc Lagarce como ele próprio fez questão de registrar em seu diário na noite de 5 julho 1989 e portanto exatos dois meses antes de começar o ensaio de Music-Hall

e três anos antes em 1 julho 1986 já havia anotado o seguinte

No teatro semana passada em Paris assisti a duas coreografias de Pina Bausch Os Sete Pecados Capitais adaptado do musical de Brecht e Kurt Weill e Não tenham medo com textos de Brecht e músicas de Weill retirados de diversas obras Não somente é magnífico Os movimentos em grupo a dor o sofrimento Mas também há um humor decepante A cantora em Os Sete Pecados Capitais era realmente magnífica

 

Outra influência seminal surgiu com a poética de Samuel Beckett

 

A personagem Winnie de Happy Days forneceu um modelo para a concepção da Menina de Music-Hall e seu assistente de vida-e-palco Willie inspirou a cartilha dos dois Meninos

 

Em 1979 aos 22 anos Lagarce dirigiu três peças curtas de Samuel Beckett Not I e Footfalls e Come and Go

 

Em sua tese Teatro e Poder no Ocidente aprofundou as relações e descobertas ocorridas nas suas encenações desses três big-bangs

 

Lagarce também assinou algumas críticas de cinema publicadas sob o pseudônimo Paul Dasthré no jornal Libération e após assistir aos filmes Sacrifício e Solaris de Andrei Tarkovsky confessou o seguinte

 

É isso acima de tudo o que desejo conseguir escrever

 

Em fevereiro de 1994 ele chegou a enviar seu vídeo intitulado Portrait para o Festival do Minuto realizado aqui em São Paulo e saiu vencedor da competição internacional

 

Um memorial que teve seu início crucial aos 31 anos de idade quando se descobriu soropositivo e marcou o seguinte em 23 julho 1988

 

A partir dessa manhã enxergo as coisas de outra forma Provável não sei Me tornar ainda mais solitário se é que isso é possível Não acreditar em mais nada Não acreditar em nada Ou melhor talvez fingir Continuar fingindo belamente Sorrir Afetadamente aparentar o espirituoso E acabar com a ameaça da morte Pois ainda assim Como o último representante de um dandismo lento e desenvolto

 

12 junho 1992

Uma ideia idiota mas como ela ressurge o tempo tempo e ela reaparece toda vez que estou saindo e ela passa pela minha cabeça nos sonhos então vamos admitir A ideia é bem simples mas muito muito reconfortante muito alegre É isso que queria dizer Muito alegre sim a ideia de que vou retornar de que terei uma outra vida após esta e na qual serei o mesmo mas terei mais charme caminharei pelas ruas com mais firmeza na qual serei um homem livre e muito feliz A ideia frequente maquinal << É isso que farei quando regressar >> É besta Bem pouco filosófica Muito alegre reconfortante mas nem estou tão agitado assim e ela está perfeitamente ancorada no meu espírito

11 junho 1994

Acordei com dores Fui dormir tarde quase meia-noite pois não encontrava razão para ir dormir e na minha cama não havia sono e aí parti numa dessas << histórias imundas >> essas novelas mui formosas que às vezes aparecem a nosso contragosto elas nos servem como um erotismo definitivo Na maior parte do tempo como o desejo está morto morto e enterrado essa novela esse longo delírio de uma ternura impossível enfim consigo apagá-lo destrui-lo e dormir mas dessa vez não consegui A noite inteira foi isso entre o sono e a vigília Ou ao menos a lembrança que tive ao me levantar

07 junho 1994

Estranho esse estado Como se não quisesse mais estar com ninguém e como se só me confrontasse com os outros quando extremamente necessário Uma doçura nostálgica e suicida também e não outro sentimento que se debruça sobre mim O prazer um pouco mórbido que tive nessas manhãs Levanto bem cedo para tomar café ler livros nessas noites olhando fotografias preparando espetáculos que imaginamos tão bem << encadeados >> na cabeça Fiz ontem portanto somente por necessidade duas caminhadas por Paris e talvez o Mundo as pessoas o Mundo suavemente me dá medo O verão será solitário é provável Será suave mas ele poderá me ser fatal

06 junho 1990

Falecimento do ator Rex Harisson Só percebo as mortes nem sei o porquê óbvio os nascimentos de pessoas famosas isso jamais poderemos ficar sabendo

31 dezembro 1994

No jornal Libération na seção da retrospectiva << teatral >> do ano 1994 entre os espetáculos a serem lembrados e os falecimentos dos famosos está escrito que quanto a mim estou vivo Isso me fez rir Como uma provação como uma mensagem << boa e gentil >> do jornal

28 maio 1990

Pois li hoje no jornal Le Monde por exemplo um artigo sobre um encontro entre jovens encenadores realizado em Dijon com Éric Da Silva e Chantal Morel e François Tanguy e para o qual havia sido convidado mas << sabiam que não poderia ir >> acredito E isso não é novidade Que isso se deva ao meu << atipismo >> tão frequentemente citado Às vezes como uma abordagem extrema ou como um bonito elogio Esse << atipismo >> talvez seja a raridade e a originalidade que talvez um dia você possa pouco a pouco descobrir e apreciar << por aquilo que você é >> Poderia ser também a constatação de que você não é << nada >> na frente dos outros e que não há interesse algum a longo prazo

21 maio 1987

Enormes dificuldades financeiras para o nosso Théâtre de la Roulotte Estamos à beira da falência na cessão de pagamentos Alguns na secretaria da cultura pedem a falência Mas com a retomada das atividades para o ano que vem Coisa que recuso absolutamente E quanto a isso não vou ceder No fundo o problema de sempre Lagarce e sua companhia chinfrim nos enchem o saco deixemos eles morrerem Mas não haveria nenhuma outra companhia teatral aqui no nosso estado do Franco-Condado Um fracasso artístico Não sei Estou triste como nunca Adoraria chorar muito mas não consigo

17 maio 1994

O dia de ontem foi tão estranho Pois à noite a apresentação foi excepcionalmente boa tão bem encadeada e aí pouco a pouco no restaurante estávamos em várias mesas uma profunda tristeza parecia tomar conta de uns e outros Élizabeth e Py se divertiam mas não era de verdade Irina havia chorado Grinfeld parecia estar numa cólera escura e acreditei mesmo que de repente bem tarde na noite François iria se afundar nas lágrimas

06 setembro 1989

Hélène Surgère conta que a única meta da sua vida foi se tornar bailarina e que ela não conseguiu - aos dezoito anos foi obrigada a abandonar por razões de saúde - ainda hoje se arrepende Ela está sempre fazendo aulas - aulas para iniciantes pois ela não consegue ir adiante - ela quase nem se olha no espelho seu corpo não quer mais << isso aí não serve pra nada >> mas ela persegue esse sonho

05 março 1994

Sou como um animal uma máquina sem desejo obcecada pela própria sobrevivência Preciso me segurar até terçafeira

11 dezembro 1993

Do outro lado do planeta lá embaixo no Brasil - recebo um fax - há pessoas que chegam a pensar que sou um verdadeiro pequeno gênio do vídeo Ontem à noite aqui havia adolescentes num debate e ficavam me olhando como se fosse um grande artista << simples >> límpido À noite no hotel sou uma taça de ossos que se enerva contra o próprio corpo

08 dezembro 1993

Afundado em << tudo isso >> mas ainda assim acabo de ganhar em São Paulo o concurso do filme-vídeo do minuto com meu pequeno filme Ôba ganhei passagens de ida-volta Paris-Brasil entre janeiro e fevereiro na data que preferir Minhas taxas de sangue e eu vamos juntos conhecer o tal país

06 dezembro 1993

Às 6.30 definitivamente não consigo mais dormir Sou um pobre homem Se não tivesse aids já teria sucumbido provavelmente à loucura à psiquiatria paranóica a mais aterradora

03 novembro 1989

Últimas apresentações de Music-Hall nas cidades de Besançon e Montbéliard Pela primeira vez não houve aquele gosto de cinzas Mas claro houve a irritação dos << debochados >> mas também não era isso mesmo que a gente já esperava

12 agosto 1989

Leitura da peça Music-Hall para uma emissão da Rádio France Culture Dessa vez é Judith Magre quem grava o papel da Menina Acredito que a peça << funciona >> bem E quanto a mim me pedem para gravar as rubricas Nisso parece que funciono



Escrito por jqz às 15h20





16 maio 1993

O que fascina os outros e o que me espanta é essa calma O fato de saber que vamos morrer que de uma certa maneira já estamos mortos e mesmo assim nos ver continuar não gritar não muito não suplicar ou insultar a deus É isso que os fascina Por que continuar a rasurar a enegrecer papéis a tentar recontar uma ou duas histórias Eles me olham e se espantam Nós fazemos parte do Terceiro Grupo Há os vivos e os mortos e nós aqui que estamos perdidos e que continuamos Eles tentam saber compreender imaginar Eles têm medo por mim e por eles mesmos Eles esperam que a gente lhes dê uma solução O que os espanta é a tal ausência no fundo de uma metafísica simbólica

 

 

 

LA FILLE   LE PREMIER BOY   LE DEUXIÈME BOY

os nomes dos personagens

são seres se oferecendo na arte e assim não se trata apenas de uma cantora mas de uma Menina e não somente de dois assistentes mas de dois Meninos e isso ressalta seu jogo nostálgico pois o trabalho de cada show-woman-show-man é preservar e oferecer a sua infância o seu sorriso e portanto esses nomes imprimem a função lúdica de eternos moleques em contraste com a precária realidade

DE TEMPS EN TEMPS

é o título da canção que serviu como ponto de partida para a escritura da peça

uma melodia pungente composta por Paul Misraki e Andre Hornez e eternizada na voz de Joséphine Baker a mítica dançarina neta de escravos africanos que assegurou a potência do music-hall que mais tarde seria escravizado pela própria indústria

a letra da canção reflete o lamento de uma amante abandonada mas pode ser ouvida como um último pedido do Teatro aos artistas aos espectadores para que não nos esqueçamos pois é preciso fazer amor com ele e assim espantar as teorizações que só afastam a nossa carne do coração

afinal de contas o teatro -a vida de todo mundo- é um eterno poema ereto

não digam que vocês me adoram

mas façam amor comigo

uma palavra de amor é incolor

mas uma trepada é eloquente

não me escrevam longos poemas

não me contem suas comoções

para provar o quanto me amam

mas sim de tempos em tempos me beijem

e caso me escrevam não digam que vocês me adoram

mas sim vivam em mim de tempos em tempos

pois muitas vezes o coração ignora aquilo que nossas mãos frequentemente escrevem

não deixem morrer nossos sonhos

lembrem-se de tempos em tempos

 

e a pergunta que se faz é

o que realmente ainda nos resta oferecer aos espectadores

o que realmente ainda nos resta ofere-ser uns aos outros

a urgência de uma memória intraduzível

ou o clímax de uma emoção intransferível

ou a reflexão sobre a nossa existência i-n-f-i-n-i-t-a

a partir dessa indagação e tendo como metonímia o esqueleto do teatro-de-entretenimento esse açougue-music-hall no qual somos convocados para a missão de abastecer vida na vida de inúmeros desconhecidos

é preciso que a iluminação concebida para o espetáculo seja o próprio camelo atravessando o buraco da agulha

paralelamente vale notar o quanto Lagarce se concentra no uso do intransitivo

o verbo é sempre perpétuo e está sempre acima da conjugação-prisão-temporal

ressoa a mesma descoberta de Gertrude Stein

no caso do inglês isso se dá no uso do gerúndio eating human-being seeing-is-believing home-coming thanks-giving some-thing

mas no francês o gerúndio não possui essa mesma natureza é preciso escrever en-train-de-parler en-train-de-vivre que significa estar-no-ato-de-falar estar-no-ato-de-viver

não há como escrever simplesmente falando-vivendo e no inglês o uso do intransitivo to-speak to-live tem uma conotação de algo a ser projetado no futuro

ao contrário do português quando lemos ler-morder-arder pensamos em uma ação contínua-presente

 

VÍDEOS

documentário em seis partes de Joséphine Baker

 

a alma em pleno ringue 

 

como dar uma volta completa

 

a coreografia

 

o rosto na auréola de busby berkeley pré-beckett

 

às vezes jogam garfos e gatos mortos

 

sempre haverá mais um Menino por aí inclusive no caubère

 

Hélène Surgère foi a Menina dirigida por lagarce 

 

a humorista fascínio de alagar-se

 

e por aqui foi assim e assim e assim e assim que tudo começou semanas antes do convite

marcia ela dança

sobre o cetim do raio

isopor aos seus pés

marcia dança com pernas afiadas tesouras

são duas flechas que nos dão ideias sensações

bela em cena e bela na vida real

vê-la dançando me transforma em excitada

moretto como a sua boca é enorme quando você sorri

e quando você ri eu rio também

você ama tanto a vida

ué qual razão então para este frio que a gente sente em você

mas é claro é a morte

que te assassinou

é a morte que te consumiu

agora você virou cinzas

a morte é como uma coisa impossível

e mesmo para você que é forte como um foguete

e mesmo para você que é a própria vida

é a morte que te levou

marcia dança meio chinesa

o calor nos movimentos dos ombros

estática como um hieróglifo inca de uma ópera

com a cabeça ela também dança super bem

e o seu rosto dança com todo o resto

ela investigava uma nova maneira de dançar

e ela a inventou

é ela o gafanhoto

a sereia com dores de amores

a dançarina na flanela

ou um cartaz

 

 

pois é

poiesis

é p.s.



Escrito por jqz às 15h20





Luiz Päetow

Ensaio registrado pela fotógrafa Maristela Martins Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Apresentação do espetáculo Calando no Teatro Sesc-Anchieta

reunião de duas peças radiofônicas de Samuel Beckett

Palavras & Música e Cascando

encenação de Rubens Rusche

setembro 2008

video link



Escrito por jqz às 03h24





Apresentação registrada pelas lentes da artista Lenise Pinheiro

Luiz Päetow

Cenas com a atriz Sabrina Greve e Luiz Päetow

Luiz Päetow

Cenas com a atriz e diretora Beatriz Azevedo e o ator Luiz Päetow

Textos escritos especialmente para o programa do espetáculo

Acima alguns trechos do material publicado na imprensa



Escrito por jqz às 01h52





Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Apresentação acima registrada pelas lentes do fotógrafo João Caldas com Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Ensaios acima registrados por João Caldas com Luiz Päetow

Karl Georg Büchner

Prólogo retirado do texto Lettres d'un Voyageur da George Sand publicado na Revue des Deux Mondes em 1834

Max Halbe interpretando Leonce na montagem de estreia com sua companhia Intime Theater em 31 de maio de 1895 no Münchner Park

Decisiva carta de Büchner ao cunhado Edouard Reuss

Luiz Päetow

         Acima um texto do jornalista e crítico de teatro Dirceu Alves Jr. publicado na revista Isto É

Luiz Päetow

                         Acima um texto do diretor, dramaturgo e professor Sérgio Salvia Coelho publicado no jornal Folha de S.Paulo Luiz Päetow

 

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Texto acima escrito especialmente para o programa do espetáculo com Luiz Päetow

Trechos em vídeo link 1



Escrito por jqz às 06h04





Luiz Päetow

peça peças
texto gertrude stein
encenação marcio aurelio
criação tradução iluminação atuação luiz päetow
agradecimentos andré lucena arô ribeiro carlos ferreira catia elena falcon celso frateschi clarissa mastro erica campos fio fernando luiza ollé roberto lage sylvia moreira viviane fuentes
duração 70 minutos
plateia 45 lugares
temporada até 31 de agosto de 2008

Peças é um espetáculo com dramaturgia do ator luiz päetow para texto da artista gertrude stein

Escrito em 1934 esta é a primeira vez em que é encenado no mundo

Ao explorar as diferenças semelhanças e barreiras entre o palco da ficção teatral e o palco do nosso cotidiano

ele nos revela que a mente humana é um teatro de possibilidades simultâneas

que investiga incessantemente a si próprio e aos outros

para recriar a vida e sua comunhão

A obra de gertrude stein impulsiona uma reavaliação de todo julgamento estético vigente

Enquanto muitos artistas saiam pela tangente com uma proliferação de conceitos e regras

ela sempre cantava na contramão

questionando os materiais de construção da gramática humana

soltando faíscas a partir da extração dos pontos de interrogação

alertando para a responsabilidade da sensibilidade

O local escolhido para esta encenação é o espaço ágora

um ambiente perfeito para dinamitar poeticamente os caminhos da vida à arte da ficção à natureza

trecho do texto de Luiz Päetow publicado na revista de poesia e cultura Sibila dirigida pelo poetas Régis Bonvicino e Charles Bernstein

imagens da apresentação e reflexões sobre o teatro registradas pela artista Lenise Pinheiro em seu Blog Cacilda

análise publicada pelo jornalista e diretor Nelson de Sá em seu Blog Cacilda

Luiz Päetow 

peça peças
texto gertrude stein
encenação marcio aurelio
criação tradução atuação luiz päetow
operação andré lucena
administração clarissa mastro
agradecimentos erica campos henrique mariano josé eduardo domingues laerte luciana cassas
márcia de barros maria firmino mônica raphael senhor ivan silviane ticher zan martins

duração 70 minutos
plateia 134 lugares

Luiz Päetow

                                                Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

                    Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

                        Luiz Päetow

Luiz Päetow

Luiz Päetow

P E Ç A S é o nome da peça e peço o que a natureza reza. . . . . . .

Marina Abramovic, Denise Stoklos, Robert Wilson, Hélio Oiticica, Edit Kaldor e Bill Viola são alguns dos artistas influenciados por Gertrude Stein, cujo texto considero o marco da performance e que tem nesta a sua primeira encenação tanto no Brasil quanto no exterior

Escrito em 1934, como material para uma palestra sobre a relação entre o ato de escrever e o ato de viver, tornou-se imediatamente o detonador das principais vanguardas artísticas no mundo e persiste transformando aqueles que ouvem sua reflexão lúcida, poética e altamente política

Gertrude Stein, tendo sido aluna de medicina e psiquiatria na famosa Hopkins Medical School, já descobria a mutação que se processa tanto no corpo do ator, quando se entrega à apresentação, quanto no corpo dos espectadores

Um fato muito semelhante à transferência celular que ocorre nos rituais xamânicos, que, aliás, se processam como um monólogo, onde o pajé-ator constrói um canto-texto que reacende a essência de cada membro-espectador à sua própria, sem que precise contar histórias

. . . . . . . já que já há jazigos de histórias

O teatro deve assegurar ao cidadão o direito a esta atividade tão essencial
A meta é amalgamar metrópole e pólen

VÍDEOS DISPONÍVEIS
Gertrude Stein Um corte não é uma fatia mas contém tudo
Gertrude Stein Um tubo de ensaio aberto na primeira versão
Ciclo Gertrude Stein 1
Ciclo Gertrude Stein 2
Ciclo Gertrude Stein 3
Ciclo Gertrude Stein 4
Ciclo Gertrude Stein 5

GERTRUDE STEIN

Nascendo no dia 3 de fevereiro de 1874 em Allegheny, EUA

Autora de uma biografia inigualável, partindo de uma vivência precocemente órfã e de uma infância praticamente nômade, fruto de uma família de imigrantes alemães lançados aos Estados Unidos em plena era vitoriana, vivendo na Áustria França e Inglaterra, antes de se estabelecerem no estado norte-americano da Pennsylvania

Ao ingressar nos cursos de psicologia e filosofia na Universidade de Harvard, encontra seu grande mentor, o professor doutor William James, um verdadeiro dínamo pesquisando o cérebro humano enquanto processador de linguagens, revelando os mecanismos da nossa emoção através da adrenalina, inaugurando as investigações de experiências místicas adquiridas graças ao peiote e a diversos nitratos, construindo as bases do pragmaticismo de Charles Sanders Peirce e irmão mais velho do grande escritor Henry James

Explorando códigos seus, decide abandonar a América para se aprofundar nos estudos de prosa elisabetana em Londres e, logo depois, enraíza-se definitivamente no ímã cultural de Paris, magnetizando um extenso círculo ao seu redor, exercendo inclusive a função de tutora artística, alavancando a carreira de Pablo Picasso, Juan Gris, Ernest Hemingway, Marcel Duchamp, Henri Matisse, entre tantos e tantos e tantos e tantos e tantos e tantos e tantos outros que se reuniram no seu mitológico apartamento localizado no número 27 da rue de Fleurus e que foram promovidos pelo seu espírito

Para termos uma idéia da abrangência de sua influência, podemos ressaltar o futuro escritor Paul Bowles, então um prodigioso rapaz de vinte anos de idade que foi estimulado por ela a fincar residência em Marrocos, um episódio semelhante à decisiva carta de Helena Blavatsky aconselhando Gandhi a finalizar os estudos em Londres e retornar à Índia, pois, mais adiante, Paul Bowles iria introduzir a rota psicomarroquina a Allen Ginsberg e William Burroughs, emoldurando assim o tapa na pantera, no elejohnfante, no jaguar dos beatniks

Gertrude Stein foi ainda motorista de uma ambulância durante a Primeira Guerra Mundial e se eternizou também graças ao seu casamento com Alice Babette Toklas

Em virtude desses e de tantos outros eventos, foi se perpetuando um interesse maior pelo pitoresco, folclórico, lendário de sua biografia, do que pela poética revolucionária, visionária de sua grafia

Uma gigantesca produção literária abrangendo poemas, ensaios, novelas, memórias, libretos, retratos, um livro para crianças, um livro policial e um romance de quase mil páginas intitulado The Making of Americans

Desenvolveu uma escritura que margeia o mantra e outros cantos encantatórios, se assemelhando ao cubismo

Em 1913, começou a escrever também para o teatro

Sua fértil produção dramatúrgica atingiria 80 peças no ano de 1946 com A Mãe de Todos Nós

Inaugurou uma estrutura, ousada na metalinguagem e revolucionária na fluidez, tão à frente de seu tempo, que a primeira encenação de uma de suas obras levou 20 anos para se realizar

Trata-se da lendária produção nova-iorquina de Quatro Santos Em Três Atos, em 1933

Um verdadeiro triunfo

Com Peças, prova que a nossa mente é um teatro de possibilidades simultâneas que investiga a si e aos espectadores para recriar a emoção

O espetáculo-solo joga com o ator saltando de ensaísta para intérprete da arte para ser humano

O texto só foi publicado, postumamente, no volume Last Operas and Plays e, recentemente, no livro Look at me and here I am

Durante sua pesquisa, chegou a criar peças cujos protagonistas poderiam ser cidades, religiões, montanhas e até os próprios atos e cenas

Em Doutor Faustus Liga a Luz de 1938, os diálogos se alternam com um ballet de luzes e um cão que só diz obrigado

Ela anteviu que, de fato, tudo pode vir a ser teatro

Absorvia tudo à sua volta e transformava em texto

Utilizava o movimento dos automóveis nas ruas para criar o ritmo exato de um monólogo interior

Seu jogo hipnótico de monossílabos, assonâncias, repetições e ausência de pontuação, é hoje considerado precursor do ritmo frenético dos rappers

Basta compararmos sua obra musical Quatro Santos Em Três Atos com a estrutura dos versos criada pelo mestre de cerimônias Tupac Shakur

E é ainda mais surpreendente encontrar, na dramaturgia do encenador Robert Wilson, a mesma escrita mântrica-mental qual assina com seu parceiro Christopher Knowles, o ilustre autista que compõe textos repletos de paralelismos, recurso presente também no canto dos pajés

O que dizer, então, da ligação direta entre a concepção dramatúrgica de uma peça-paisagem, formulada por Gertrude Stein no próprio texto Peças, e a peça de Heiner Müller intitulada Descrição de uma Paisagem, que põe à prova seu fluxo de consciência em meio à imobilidade dramática

Exerceu também um papel fundamental na dramaturgia beckettiana, vide seus versos isossilábicos de Esperando Godot e seu lessness em Dias Felizes

Gertrude Stein impulsionou incessantemente uma reavaliação de todo julgamento estético vigente

Numa época em que a maior parte saía pela tangente com conceitos pseudometafísicos ou pseudoascéticos, ela cantava na contramão, questionando os materiais de construção da gramática humana, soltando faíscas a partir da extração dos pontos de interrogação, alertando para a responsabilidade da sensibilidade

Paralelamente, anteviu o boom dos blogs, da internet, profetizando em uma entrevista de rádio registrada no inverno de 1934, haverá um dia em que cada um e todos terão suas vidas escritas e acessadas por todos a cada segundo, todo mundo que já viveu ou vive ou vi verá certo dia em que haverá uma história ordenada de todo mundo, aos poucos cada um virá a um reconhecimento ordenado

Já nos habituamos tanto a suportar o concreto e o cimento, justo eles que deveriam servir para nosso suporte, que esquecemos o conhecimento das coisas, e as coisas estão em todo lugar, através da arte adquirimos a qualidade de criadoores das portas do lugar que habitamos

Gertrude Stein, unindo as cortinas no dia 27 de julho de 1946, em Paris

Sua saúde havia sido, silenciosamente, insaudada durante os anos de isolamento em que driblou a perseguição nazista, se refugiando em uma casa abandonada ao interior da França

Luiz Päetow

Luiz Päetow



Escrito por jqz às 20h48





link poaemcena

imagens da fotógrafa Ines Arigoni

Análise da pesquisadora Naira Hofmeister publicada no Jornal JÁ de Porto Alegre em 15/09/2006

PEÇAS É TEATRO ÀS AVESSAS
Luiz Päetow explica e questiona a dramaturgia


Ao invés do teatro, um armazém do Cais do Porto. Ao invés do público em frente ao palco, cadeiras espalhadas em volta do espaço cênico. Os bastidores teatrais fazem parte da composição de Peças, em que cordas, roldanas e sistema de iluminação estão aparentes e se misturam à platéia.

A cortina também foi substituída: ao soar da terceira campainha, uma porta de ferro se abre. Tendo o rio Guaíba ao fundo, numa bela noite iluminada pelos raios da tempestade que estava por vir, Luiz Päetow entra em cena: movimentos que lembram uma câmera lenta, braços e pernas movendo-se numa vagarosa sincronia. A boca, entretanto, não se mexe antes que chegue ao centro do improvisado palco. O único som presente é o de uma voz feminina, que sai do aparelho portátil instalado num canto.

Päetow caminha até o aparelho, e ainda com movimentos lentos, faz parar o fluxo de palavras em inglês. Retorna ao centro do espaço cênico, anuncia, com voz solene: “Peças, de Gertrude Stein” e volta a ficar imóvel por alguns segundos.

De repente, um sobressalto do ator prega um susto na platéia. “Descobri algo sobre Peças”, diz Päetow. E segue dizendo seu texto, um ensaio da autora norte-americana, musa de artistas europeus como Picasso e James Joyce, amiga da família de Matisse e freqüentadora do núcleo de intelectuais vanguardistas do início do século XX, na Europa.

O tratado de Stein “Peças” credita ao Jazz a invenção do nervosismo que se cria entre a platéia e o ator, no momento da apresentação. Essa apreensão, diz Stein, é resultado da falta de sincronia temporal entre público e espetáculo. “O sentimento do público está sempre à frente ou atrás do sentimento de quem está no palco”.

Não é fácil prestar atenção às deixas de Päetow: o texto é complexo, frio e lembra os escritos de filosofia da linguagem, em que o significado das palavras pode ser modificado por quem o recebe. O ator alterna sua interpretação durante todo o espetáculo. Às vezes segue no ritmo lento, aquele com que começou a apresentação. Ora atinge uma rara intensidade de emoções, gritando, se mexendo sem parar e falando velozmente num fluxo de consciência.

Päetow segue enumerando as diferenças entre a atuação no real, no cotidiano, aquela em que cada um é protagonista, e o teatro, onde a platéia é apenas observadora dos fatos. Além do tempo, das emoções, Stein ainda oferece um pensamento sobre os efeitos de alívio ou de arremate que esses antagonismos provocam em quem vivencia o teatro ou a realidade. O ator também questiona os sentidos, o momento certo para assistir a um espetáculo ou aqueles para apenas ouvir o que está sendo dito. Dessa forma, o texto também acaba discutindo a memória e a percepção do espectador.

Sem pretensão de conceituar ou determinar coisa alguma, Peças segue questionando “o que realmente conhecemos” sobre o mundo, sobre a vida, o que, afinal, é a matéria-prima do teatro. Ao final do espetáculo, sob meia-luz, calmo e tranqüilo, conclui Päetow: “E então isso é somente até o presente tudo o que sei sobre Peças", e sai a caminhar pela beira do Guaíba, apanhando as gotas de chuva que começam a cair.

Trecho da matéria publicada em 19/09/2006 no Caderno de Cultura do jornal uruguaio La República21 pelo jornalista Jorge Arias

SHAKESPEARE, GERTRUDE STEIN Y OTROS AUTORES
Sigue la fiesta teatral en Porto Alegre


La prosa de Gertrude Stein es muy apreciada por la crítica literaria. El texto es altamente especulativo y referente al teatro, que el intrépido actor Luiz Päetow trata de parar sobre las tablas. El resultado, el mejor de los casos, es una animada lectura de Stein; anotamos que a menudo el actor, con la dicción, emplea volúmenes de voz que concuerdan claramente con lo que dice. Como a Stein, se lo puede admirar.

Peças, de Gertrude Stein, por Luiz Päetow, en Armazem "A" dos Cais do porto (muelles del puerto).

imagens do fotógrafo Jorge Etecheber

Artigo publicado pela Central de Imprensa do Festival
Teatro Solo : a plateia como companhia

Quase um segredo dito ao pé do ouvido. Uma energia que emana de uma só criatura e ultrapassa os sentidos para fixar-se na alma de cada espectador. Um trabalho solo é uma confissão que extrapola o espaço, o palco, o teatro, para, com palavras ou não, transmitir uma mensagem, um sentimento, um ponto de vista.

Em 2006, permeado por sua investigação em busca de um novo teatro, ou mesmo de um não-teatro, o FIT traz ao público alguns trabalhos solo: “Diário de Um Louco”, de Livio Tragtenberg, “Peças”, de Luiz Päetow, “A Noite Antes da Floresta”, de Francisco Medeiros, “Sopro”, da Cia Lume.

O processo de construção dos espetáculos solo somam meses e, muitas vezes, anos de preparação do ator, desde a escolha do tema e o estudo, até a divisão da idéia com outros colaboradores como diretor, figurinista e técnicos. “A montagem de ‘Peças’ durou cinco anos. Isso desde a primeira leitura do texto de Gertrude Stein (autora que inspirou a montagem) que precisou ser traduzido, até a pesquisa e a procura de outros profissionais que se identificassem com a proposta de encenação”, comenta o ator Luiz Päetow.

Fora o tempo de criação, Päetow do “Peças”, conta que encontrou dificuldades em fazer do texto de Stein um espetáculo para ser apresentado em grupo. “Houve uma grande identificação minha com o texto, uma paixão individual, desde o primeiro momento. A princípio a idéia era fazer um espetáculo teatral em grupo, mas foi difícil viabilizar o projeto de outra maneira que não fosse um monólogo. Muitas pessoas ficavam desconfiadas com este tipo de texto, pois parece uma tese, uma palestra e achavam que não teria como ser decodificado em uma linguagem teatral que não a do teatro solo”, comenta o ator.


Análise escrita por Antonio Barreto Hildebrando (crítico de teatro de Belo Horizonte) por ocasião do FIT Rio Preto 2006
“Peças”
Luiz Päetow
São Paulo / SP

1ª HIPÓTESE: Imagine que você adora carros e motores, cheiro de óleo, gasolina, bielas e cremaleiras. Você ficaria em uma oficina, sentado tranqüilamente em uma pilha de pneus, durante 55 minutos, vendo um mecânico – criterioso, concentrado e perfeccionista – trabalhar?

2ª HIPÓTESE: Imagine que você adora teatro, sente-se em casa entre pernas, bambolinas e refletores. Você ficaria em um palco, sentado tranqüilamente em um banco de frente para a platéia, durante 55 minutos, vendo um ator – criterioso, concentrado e perfeccionista – trabalhar?

Creio que, em ambos os casos, a resposta seria SIM. Para o indivíduo da segunda hipótese, “Peças”, solo de Luiz Päetow , é um presente.

Radical, sem concessões, o espetáculo reterritorializa o texto de Gertrude Stein, que, na letra fria, antigo, rejuvenesce na cena pela voz firme e avessa a recursos fáceis do ator que se põe a seu serviço, corporificando o desejo da autora, ainda buscado por muitos e sintetizado por Marvin Carlson, em seu Teorias do Teatro: “Stein invocava e tentava criar um teatro que fosse ‘atemporal’ ou ‘perpetuamente presente’[...] Esse teatro rejeitava preocupações tradicionais como crise e clímax, começo meio e fim, prefiguração, desenvolvimento de personagens e intriga em favor de um fluxo de existência [...] o espectador não tentará adentrar o mundo emocional de um drama desses, apenas o observará como observaria uma paisagem que estivesse simplesmente diante dos seus olhos.” Assim observei, atento todo o tempo em que o ator, no pequeno espaço emoldurado pela meia abertura da cortina, colocava-se entre mim e as cadeiras vazias da platéia, nem tanto quando ele, movimentando-se por todo o palco, fugia dos limites da moldura. Talvez, como diria Stein: “...me tornei moderadamente conscientemente perturbado pelas coisas sobre as quais se tomba sobre as quais me tombei numa tal extensão que...” Talvez, tenha sido isso. Não tenho certezas. “E então isso é somente até o presente tudo o que sei sobre” “Peças”.

OBS.: Não tenho como e não quero saber de quem foi a infeliz idéia, mas, antes de começar o espetáculo, foi-nos solicitado que não nos retirássemos sem que ele tivesse terminado. Fico imaginando o indivíduo da segunda hipótese, aquele não-amante de carros e motores. Como ele se sentiria se fosse constrangido a passar 55 minutos, sentado sobre uma pilha de pneus em uma oficina, vendo um mecânico trabalhar, por mais criterioso, concentrado e perfeccionista que ele – o mecânico - fosse?

Antonio Barreto Hildebrando, agradecemos muito a sua análise que, além de informar ao leitor sobre o grande Marvin Carlson, também realiza o mesmo percurso de Gertrude Stein ao expôr o incômodo proposital que o espetáculo provoca como se fôssemos todos novamente crianças em choque com o código camaleônico do teatro, que é a nossa própria vida. E, quanto à sua observação ao final, aproveito aqui para esclarecer que esta solicitação adotada pelo Teatro Municipal não era de nosso conhecimento e só fui informado desse procedimento através do seu texto acima. Na verdade, parece até um conto surrealista. É assustador pensar que tenham exigido aos espectadores para que ficassem confinados durante o espetáculo. Imagino que a equipe do Teatro deve ter pedido somente que o público aproveitasse para fazer suas necessidades, tais como beber água ou ir ao banheiro, antes de entrar no Teatro. Penso que tenham agido dessa forma com a melhor das intenções, na tentativa de evitar situações semelhantes às que ocorreram durante vários outros espetáculos, em que os espectadores saíam e retornavam à sala e até atendiam chamadas de telefone celular, como aconteceu durante uma sessão da peça "O Assalto" do Teatro Oficina. No entanto, caso tenha ocorrido como você descreveu a cena, tal excesso de zelo se torna a imposição de um Livro Vermelho....... e aí, a nossa Natureza some de vez. Já escrevi um email para Eunice Dumbra, coordenadora das Atividades Formativas do Festival, relatando o episódio.

agradecimentos paidéia associação cultural
amauri falseti aglaia pusch christine röhrig
nancy martorelli nogueira rogério modesto

agradecimentos coordenadoria de eventos culturais do departamento de ciências sociais da universidade federal de são carlos

imagens da apresentação registradas por clarissa mastro

imagens do ensaio registradas por artedivina elisete

Primeira Versão

TEATRO FAAP
25 janeiro a 16 março 2006

O local escolhido é o lado B do palco do Teatro Faap, o espaço oculto atrás da rotunda, onde há as coxias roldanas cordas moitões gornos ganchos, todos organismos que abastecem o urdimento teatral, o suporte do palco se transformando no suporte da peça

Análise escrita pelo crítico Mauro Fernando Mello no seu Blog Rotunda http://rotunda.zip.net

Com abordagens múltiplas – e resultados variados –, muito se tem escrito sobre o fascínio do teatro, desde apaixonados relatos de quem milita na área até frios compêndios acadêmicos. Em função desse encantamento, a metalinguagem é um dos assuntos mais caros ao teatro. Em cartaz no Teatro Faap, em São Paulo, o espetáculo solo “Peças”, da estadunidense Gertrude Stein (1874-1946), trata desse universo.
O texto expõe conceitos em torno da emoção que toma o espectador diante da cena, como “clímax da excitação”, “arremate” e “alívio”, e pergunta sobre a “utilidade de se contar uma história”, questionando a dependência do teatro de uma história bem contada. Assim, instalar a encenação no palco, atrás da cortina, surge mais como uma necessidade que como uma solução.
Um dos mais talentosos diretores brasileiros – premiado por “Pólvora e Poesia” (Shell) e “Agreste” (APCA), para citar apenas as mais recentes –, Marcio Aurelio assina a encenação. Como todo espetáculo solo, “Peças” tem no ator seu sustentáculo – neste caso, Luiz Päetow.
Ao não se comprometer com o naturalismo, Päetow tem o mérito de não deixar fluir uma atmosfera de conferência enfadonha. Faz uso de vasto repertório gestual combinado com silêncios e alternância de ritmo e de entonações.
Subscrita pelo diretor, a iluminação é uma aula sobre como se extrair de meia dúzia de lâmpadas nuances do jogo claro-penumbra-escuro. Longe, porém, de se sobressair ao ator, a luz o apóia, proporcionando-lhe mais subsídios para trabalhar.

imagem registrada por clarissa mastro da performance realizada
na inauguração do Teatro SESC Santana em outubro 2005

 

para conhe-ser outras performances http://jqz.zip.net



Escrito por jqz às 20h48





2010

 

abracadabra

espetáculo-solo

primeira temporada nos meses de janeiro e fevereiro no Teatro Sesc-Anchieta

segunda temporada em maio e junho no Teatro Eva Herz

terceira temporada em junho e agosto no Teatro Oficina

apresentações no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto SP - Festival Internacional de Brasília DF - Festival Nacional de Vitória ES - Teatro Sesc Campinas SP

atuação   dramaturgia   iluminação   produção   direção

indicado ao prêmio Shell na Categoria Especial pela sua concepção e pesquisa

link

 

 

2009

 

music-hall

primeira montagem brasileira do texto de Jean-Luc Lagarce

temporada aos sábados e domingos nos meses de junho julho e agosto no Teatro Imprensa

apresentações nos Teatros do SESC em Araraquara - São Carlos - Ribeirão Preto

tradução   iluminação   cenário   direção geral

e atuação nas viagens realizadas ao interior de SP  personagem O Primeiro Menino

vencedor do prêmio Shell de melhor iluminação

link

 

 

2008

 

music-hall

performance do texto de Jean-Luc Lagarce em leituraventura

realizada dentro da Residência Artística no Tusp

uma única apresentação em dezembro

tradução   direção geral

link1 link2

  

vox

performance-solo com dois textos de Beatriz Carolina Gonçalves

Elektra Volta à Semente e Cabeça de Medusa

apresentações no Espaço dos Satyros 1 em novembro e no evento Satyrianas em outubro

direção   atuação

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calando

montagem de duas obras de Samuel Beckett inéditas no Brasil com direção de Rubens Rusche

Palavras & Música e Cascando

apresentações no Teatro Sesc-Anchieta em setembro

atuação

personagens Palavras e Voz

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peças

recriação dramatúrgica do espetáculo Peças de Gertrude Stein

realizando novas temporadas no Teatro Coletivo-Fábrica às sextas sábados e domingos em abril

e no Teatro Ágora aos sábados e domingos nos meses de junho julho e agosto

criação   tradução   iluminação   atuação

link

 

o misantropo

leitura encenada da obra de Molière com direção de Marcia Abujamra

uma única apresentação em junho no evento 7 Autores 7 Diretores 7 Encontros

Teatro Sesc-Anchieta

atuação

personagem Alceste

link



Escrito por jqz às 10h00





2007

 

hajj

ciclo de interinvenções realizadas nas redondezas da Baixada do Glicério

transmitindo textos de sua autoria se inscrevendo na biografia dos moradores

ao total foram 71 ações entre fevereiro e dezembro

criação   direção   autoria   atuação

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atrás do pensamento 

montagem da obra Água Viva de Clarice Lispector

realização em Goiânia a convite do professor-doutor em lingüística aliada à psicanálise Newton Murce

temporada de quinta a domingo em novembro no Teatro Goiânia Ouro

direção geral   roteiro   trilha sonora

link

 

céu no cio

leitura encenada do texto assinado com o pseudônimo Zita Woulpe

apresentação com as atrizes Lúcia Romano e Tatiana Thomé no evento produzido em outubro pelo grupo Dramáticas em Cena nas Satyrianas 2007

criação   direção   autoria   iluminação

prêmio APCA especial ao grupo Satyros pela realização do evento na Praça Roosevelt SP

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clarice lispector

performance realizada em setembro no Grande Auditório do Masp a convite de Clóvis Tôrres curador do projeto Letras em Cena

criação   direção   atuação

link

 

matamoros ( da fantasia )

encenação de Beatriz Azevedo para a obra de Hilda Hilst

temporada de quinta a domingo nos meses de junho julho e agosto no Centro Cultural Banco do Brasil

criação   atuação

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gertrude está em stein

interinvenção de 24 horas realizada em fevereiro na Praça Júlio Prestes em São Paulo

transmitindo passagens da obra colossal de Gertrude Stein

criação   tradução   direção   atuação

link



Escrito por jqz às 10h00





2006

 

peças

de Gertrude Stein

encenação Marcio Aurelio

Teatro Faap - Teatro Oficina - Biblioteca Pública de São Carlos - Teatro Paidéia - Teatro Municipal de SJ Rio Preto - Armazém no Cais do Porto em Porto Alegre

Temporada de quarta a quinta em janeiro fevereiro março SP   abril São Carlos   maio SP   julho FIT São José do Rio Preto   setembro FIT Porto Alegre em Cena

criação   tradução   atuação

link

 

obras ( tubo de ensaio aberto )

de Gertrude Stein

Sesc Pinheiros SP

Prólogo dos 7 minutos da vogal a abrindo apresentação dos 90 minutos em ensaio aberto a partir da palestra de 1936 intitulada o que são obras-primas e do estudo intitulado automatismo motor normal escrito por gertrude stein e publicado na revista psychological review em 1896 e materiais adicionais do poeta e filósofo ralph waldo emerson decisivos na formação de william james e gertrude stein

Única apresentação em novembro na terceira noite do ciclo gertrude stein

criação   tradução   direção   atuação

link

 

gosto que isso seja uma peça ( autopoesiamóvel )

de Gertrude Stein

Sesc Pinheiros SP

50 minutos com experimento inédito de encenação da peça escrita em 1916

Única apresentação em novembro na segunda noite do ciclo gertrude stein

criação   tradução   direção   atuação

link

 

leituraventuras ( autobiografia )

de Gertrude Stein

Sesc Pinheiros SP

Performance multimídia de 50 minutos com leituraventuras de textos de gertrude stein

Única apresentação em novembro na primeira noite do ciclo gertrude stein

criação   tradução   direção   atuação

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autobiografia de todo mundo

de Gertrude Stein

Esquina ruas treze de maio e são vicente SP

Interinvenção de 24 horas no mês de maio recriando a obra de Gertrude Stein ao ar livre

criação   direção   atuação

link



Escrito por jqz às 10h00





        leonce & lena

de Georg Büchner

encenação Gabriel Villela

Teatro SESC Paulista

Temporada de quinta a domingo em julho agosto setembro outubro SP

criação   atuação

personagem Leonce

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Escrito por jqz às 10h00





2005

 

parto para a busca íon da eudentidade

de Gertrude Stein

Esquina avenidas ipiranga e rio branco SP

Interinvenção de 2 horas via cabine telefônica na noite de natal ver ouvir vir Damílton

criação   tradução  atuação

link

 

stanza medita ação

de Gertrude Stein

Cine bristol SP

Interinvenção de 3 minutos na fila do cinema com poema respiração aceso no mês de novembro

criação   tradução   atuação

link

 

stanzasemmeditação

de Gertrude Stein

Galeria olido SP

Interinvenção de 1 minuto encenada no muro de espelho do cine olido ascende poemas pensados no mês de novembro

criação   tradução   atuação

link

 

o rei ou decorei ( o público é convidado a dançar )

de Gertrude Stein

Passagem de pedestres sob o viaduto do chá SP

Interinvenção de 3 horas em outubro da noite profunda à aurora incluindo epílogo dentro de um ônibus

criação   tradução   atuação

link



Escrito por jqz às 10h00





 

peças ( lectura )

de Gertrude Stein

Teatro Sesc Santana SP

Ensaio aberto vocalização de 1 hora poética teatral incluindo um prólogo extático de 5 minutos estáticos na inauguração em outubro do teatro sesc santana

criação   tradução   atuação

link

 

raskolnikOWL

de Fiodor Dostoievski

Tiergarten BERLIM

Interinvenção de 3 horas no bosque coruja com lago escarificação investigada pelos videoartistas Marilia Halla e Osvaldo Santana a pedido do encenador Frank Castorf do Volksbühne para o evento de estreia em setembro do espetáculo baseado em Crime e Castigo

criação   atuação

 

hollowcost

de Fiodor Dostoievski

Monumento ao holocausto BERLIM

Interinvenção de 40 minutos de fricção documental moonumentos versus monolito documentada pelos videoartistas Marilia Halla e Osvaldo Santana a pedido do encenador Frank Castorf do Volksbühne para o evento de estreia em setembro do espetáculo baseado em Crime e Castigo

criação   atuação

 

os sertões ( a terra   o homem I   o homem II   a luta I )

de Euclides da Cunha

Encenação musical pelo Teatro Oficina de Zé Celso e leitura encenada d´A Luta II : Os Últimos Dias com o ator Martin Wuttke

Volksbühne BERLIM

Temporada de terça a sábado no mês de setembro

direção de cena

link



Escrito por jqz às 10h00





2003   2004

 

4.48 psicose

de Sarah Kane

direção Nelson de Sá

Galpão São José do Rio Preto - Subsolo Sesc Belenzinho SP - Teatro Paiol Curitiba

temporada de sábado a domingo em julho 2003 Rio Preto   outubro novembro dezembro janeiro fevereiro março SP   abril Curitiba 2004

criação   atuação

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2003

 

fitar

Interinvenção de 50 minutos nas residências próximas à praça benedito calixto com a distribuição anônima de 14 fitas de vídeo contendo trechos de filmes antigos colocadas silenciosamente à porta das casas no meio da grande noite chuvosa abril

criação   atuação

 

 

2001

 

la voix

de Arthur Rimbaud

Interinvenção nas 7 primeiras noites do ano com duração aproximada de 100 minutos por noite nas cinco esquinas da rue mouffetard em paris percorrendo a obra poética de Arthur Rimbaud incluindo o texto em prosa Os Desertos do Amor

criação   atuação

  

 

2000

la foi

Interinvenção de 72 horas e 49 minutos sem passaporte absolutamente cem outubro nada nem dentro nem fora paris place saint germain

destruição

 

a rainha das fadas

ópera de Henry Purcell baseada em Sonho de Uma Noite de Verão de William Shakespeare

regência de Emiliano Patarra com Orquestra de Câmara L'Estro Armonico e Orquestra de Cordas SESC
Teatro Sesc Anchieta
temporada de terça a quinta no mês de abril

encenação   dramaturgia

link

   

 

1999   2000

 

fragmentos troianos

direção Antunes Filho
Turquia   Japão   Teatro Sesc Anchieta SP   Teatro Municipal Campinas   Teatro Nelson Rodrigues RJ
temporada de quinta a domingo em junho novembro dezembro 1999 janeiro fevereiro maio junho 2000

assistência de direção   atuação   personagem Soldado

prêmios Shell e APCA de melhor direção para Antunes Filho

link 

 

1998

 

prêt-à-porter 2

coordenação Antunes Filho
Sesc Consolação
temporada aos sábados nos meses de setembro outubro novembro dezembro

criação   direção   atuação   dramaturgias Horas de Castigo com Sabrina Greve e Asas da Sombra com Lianna Matheus   personagens Gilberto e Sílvio

prêmio Shell especial 2008 pelo conjunto de realizações ao longo desses 10 anos de Prêt-à-Porter

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jornadas de prêt-à-porter
lançamento do projeto em São Paulo com as apresentações ao público de várias dramaturgias inéditas sob o título CPT-Aberto
coordenação Antunes Filho
Sesc Consolação
temporada aos sábados no mês de agosto

criação   direção   atuação   dramaturgias Passageiros com Gabriela Flores Debaixo da Ponte com Sílvia Lourenço e Cem Concerto com Daniella Nefussi   personagens Erik e Alan e Ivan

link

 

da gaivota

adaptação e direção de Daniela Thomas a partir da obra de Anton Tchekhov

elenco Antonio Abujamra Celso Frateschi Fernanda Montenegro Fernanda Torres Matheus Nachtergaele Nelson Dantas

Teatro Municipal Santo André Teatro Guaíra Curitiba Teatro Castro Alves Salvador Teatro Leblon RJ Sesc Vila Mariana SP

temporadas em julho agosto setembro

assistência de direção

prêmio APCA de melhor cenografia para Daniela Thomas e Marcelo Larrea

link



Escrito por jqz às 10h00





1997

 

a peça didática de baden-baden ( sobre o acordo )

de Bertolt Brecht
direção Celso Frateschi
Teatro Laboratório - Sala Miroel Silveira
única apresentação em abril
diversos personagens

 

a cozinha

de Arnold Wesker
direção Iacov Hillel
Teatro Laboratório - Sala Alfredo Mesquita
temporada de terça a domingo em janeiro e fevereiro

personagem Nicolas

link

 

1996

 

30 anos esta noite ( relembrando os festivais de MPB )

direção geral Augusto Francisco
Anfiteatro Camargo Guarnieri - TUSP - Centro Cultural São Paulo e campi da USP no interior de São Paulo
temporadas em outubro 1996 e de sexta a domingo em março abril maio e setembro1997

diversos personagens

 

à margem da vida
de Tennessee Williams
direção Odavlas Petti
Teatro - Sala Preta
temporada de terça a domingo em junho

personagem Tom Wingfield

 

1995

demências precóccix

direção concepção Luiz Damasceno

Teatro - Sala Preta

temporada de quinta a domingo em novembro

diversos personagens

 

elo pesado pesadelo

Performance de 34 minutos setembro no teatro sala preta

Piso forrado papel higiênico branco uma mesa branca central sete pratos fundos brancos cheios d´água tufos espessos de pelagem canina preta imersos y a audição simultânea da contagem das estrelas afogando em números repetidos ininterruptamente diante diamante Damasceno

criação   atuação

 

marat / sade

de Peter Weiss

direção Francisco Medeiros

Teatro Laboratório - Sala Alfredo Mesquita

temporada de quarta a domingo em julho e agosto

personagem Enfermeiro



Escrito por jqz às 10h00





1994

vestido de noiva

tragédia de Nelson Rodrigues
direção Daniela Elyseu sob orientação do prof dr Fausto Fuser ECA / USP
Teatro Cultura Inglesa
temporada de sexta a domingo em novembro

personagem Pedro

 

um homem & uma mulher no cinema de todos os tempos

concepção Christiane Brito   direção geral Lauro Esteves

Teatro Cultura Inglesa

temporada de sexta a domingo em agosto

personagens Johnny Farrell e Jim Stark e Paul Bratter

 

cai x ão

Performance 5 minutos abertura da caixa abre caixão práxis poeta professor Mário Chamie

criação   atuação

 

o ator em musical

concepção workshop Wellington Nogueira

Teatro Cultura Inglesa

única apresentação em agosto

personagem Hero do musical A Funny Thing Happened on the Way to the Forum de Stephen Sondheim baseado nas comédias latinas de Plauto

 

the fifteen minute hamlet

edição de Tom Stoppard para a tragédia Hamlet de William Shakespeare
direção Daniela Elyseu
Teatro Cultura Inglesa
única apresentação em julho
personagens Hamlet e Ophelia e Shakespeare

montagem vencedora do prêmio do público no British Council Drama Festival

 

blood wedding

tradução inglesa do poeta Ted Hughes para Bodas de Sangue tragédia de Federico Garcia Lorca
direção Daniela Elyseu sob orientação do prof dr Fausto Fuser ECA / USP
Teatro Cultura Inglesa
temporada de sexta a domingo em junho

personagem Leonardo

 

1993

o gesto em cena

concepção workshop Eliana Fonseca
Teatro Cultura Inglesa
única apresentação em agosto

diversos personagens

 

1992

grease

musical de Jim Jacobs e Warren Casey
direção Albano Sargaço   direção musical Fernando Blandy
Teatro Cultura Inglesa
temporada de sexta a domingo em novembro e dezembro

atuação   canto   dança

 

the razor´s edge
vídeoadaptação do romance O Fio da Navalha de W Sommerset Maugham
personagens Larry Darrell e Elliott Templeton
direção   adaptação   atuação

vencedor do segundo prêmio britânico Ashton School Books

 

1990

kiss me kate

musical de Cole Porter baseado em A Megera Domada de William Shakespeare
direção Nancy Diuguid e Albano Sargaço   direção musical Christianne Neves
Teatro Cultura Inglesa
temporada de sexta a domingo em novembro e dezembro

atuação   canto   dança



Escrito por jqz às 10h00



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